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Proteção para a toninha não cair nas redes

Restringir pesca com redes de emalhe em locais de pequena profundidade pode ajudar a proteger as toninhas, um dos menores golfinhos do mundo.

Vandré Fonseca ·
24 de janeiro de 2013 · 13 anos atrás

Centenas de toninhas morrem no litoral do Rio Grande do Sul todos os anos. Foto: Emanuel Ferreira/Furg
Centenas de toninhas morrem no litoral do Rio Grande do Sul todos os anos. Foto: Emanuel Ferreira/Furg

Manaus, AM – Afastar os pescadores da costa pode ajudar a conservar as toninhas ou franciscanas (Pontoporia blainvillei), um dos menores golfinhos do mundo e encontrada apenas numa faixa de litoral entre o Espírito Santo e a Argentina. Centenas de toninhas morrem todos os anos em acidentes com redes de emalhe, que permanecem estendidas no mar por até 14 horas antes de serem recolhidas, formando uma grande barreira para várias espécies marinhas.

Estas redes podem chegar a 30 quilômetros de extensão. Por serem pequenas e terem hábitos costeiros, as toninhas são muito sensíveis a este tipo de pescaria. Mas elas não são as únicas vítimas, diversos outros animais também são afetados, como tartarugas, pingüins e tubarões.

“Estas redes são uma barreira intransponível não só para toninhas, para qualquer outra espécie”, afirma o oceanógrafo Emanuel Carvalho Ferreira, da Fundação Universidade do Rio Grande (Furg) e colaborador da organização não-governamental Kaosa.

A toninha, conhecida também como franciscana, tem hábitos costeiros e por isso são sensíveis à pesca de emalhe em locais de pequena profundidade. Foto: Marcos Cesar de Oliveira Santos/IO-USP

Ferreira faz parte de uma equipe que trabalha com a espécie desde a década de 1990. Em 2011, a equipe começou a buscar dados sobre a relação entre a morte de toninhas e o uso de redes de emalhe. Com financiamento da Fundação Boticário, o oceanógrafo descreveu cenários com a exclusão da pesca em áreas de 5 a 20 metros de profundidade. O estudo demonstra que a mortalidade de toninhas diminui 72% quando as redes usadas em pescaria de emalhe são colocadas em áreas com profundidade acima de 20 metros.

A criação de uma área de proteção às toninhas em profundidades mais rasas foi uma das recomendações apresentadas pelo pesquisador ao Plano de Ação Nacional para a Conservação do Pequeno Cetáceo Toninha (PAN Toninha). Ele sugere também que o tamanho das redes seja reduzido para sete quilômetros.

Atualmente, conforme a Instrução Normativa Interministerial 12, publicada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura e Ministério do Meio Ambiente, em agosto do ano passado, o tamanho das redes é limitado a 16 quilômetros no Rio Grande do Sul e 18 quilômetros no restante do país. A altura máxima das redes também é regulamentada e pode ser de até 4 metros.

A toninha é classificada como vulnerável na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e em Perigo, de acordo com o Instituto Chico Mendes. A espécie é endêmica do Atlântico Sul e é uma das menores espécies de golfinhos do mundo, chegando a 1,7 metros. Apesar de viver principalmente no mar, é classificada entre as espécies de golfinhos de água doce e pode ser encontradas também em estuários, com na Baía de Babitonga, em Santa Catarina.

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